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O brilho


É o despertar do que dormi no corpo frígido que é meu. É a ideia  que nasce dentro e tenta dominar o todo que sou eu. É a palavra que faltava  pra ser o que os outros chamam de amor eterno e a parte que do erro virou outra coisa.

Os pontos quebrados ao meio quando concertados (endireitados) nunca voltam a ser o que antes foi. Sendo belo outrora, hoje apenas restos do que alguém sonhou, imaginou e fez.  Nada pode ser concertado com o mesmo esplendor, não que o brilho vai sumir, mas ele será de uma tonalidade diferente.

Mas o que fazer da vida se volta e meia algo se desloca e deixa de ser unidade. Quando as coisas soltam e perdem o tal brilho, elas passam a ser coisas comuns que não expressam amor, dor ou medo. Não se tem muito que fazer quando essas ideias tomam conta da mente, o que foi não volta... Foi pra nunca mais voltar e ponto.

Ideias Soltas



Tava só aqui, imóvel, mas acabei desistindo...
...O sol me convidou para ser feliz...

Ideias-Soltas


Desconectando da realidade que o cerca, numa desconstrução, em um vago espaço de tempo em que tudo se separa no ar, moléculas de gás, amores banais e coisas que a gente não pode entender. As mentiras da TV não o seduz mais como antes, as crises do mercado não fazem mais a diferenço no preço do café e do açúcar.     

Despede-se de tudo
Pegando um trem
Cheio de esperança
De ser o que pensa

Os caminhos que cruzam vidas, metrópoles, as pessoas que se encontra num desencontro, esquinas e pactos mortais. Amores de uma noite e livros banais. Formulas para a felicidade. Atores no palco em quanto os deuses jogam dados, tomando doses homeopáticas de BR-101. É a vida no seu mais completo caos, que não podemos decifrar se temos   destinos ou somos livres,  se tudo é prescrito por uma força maior ou  nossas escolhas fazem a diferença.






Lealdade


Moça na Janela.  Salvador Dali

Lealdade,
Prometesse-me um amor,
De forma continua,
E eu confiei em tua palavra.    
Mas não fosse leal nem a tua alma,
Que violasse por alguns trocados,    
Esperando na próxima esquina o meu perdão,
Que jamais será conquistado.
Pois não perdesse só a minha companhia,
Mas sim uma vida,
Planejada para ser intensa,  
Do inicio ao fim.     

Mesmo separados caminhamos para algum lugar comum.


Descobri que andando a paisagem muda, que não adiante ficar no mesmo lugar, escutando aquela canção, esperando uma  pessoa que não vai chegar.
 A terra voa no   asfalto quente, formando nuvens de areia no decorre do caminho, o som das maquinas trás a tona o terror, o medo de ficar no passado inerte, imóvel que não se meche, mas que se reinventa dentro do seu contesto. 
O sonho é linear, mas a vida é uma serpente saindo do jardim.
Não  tenho todos os sonhos do mundo, tenho apenas os meus.
 Sei que voar é possível, não devo plantar nessa terra   as sementes da vida, nem sei qual é o melhor local, só acho (mesmo sem dever) que as pessoas são o espelho do que querem e, que a um espaço muito grande entre elas.
Mesmo separados caminhamos para algum lugar comum.

      

A frustração de ser quem sou



Não é desgosto da vida, nem medo de viver ou de errar, que de certa parte é pior de que o de viver, por outro lado pode ser que seja medo, sim medo, mas de alguma forma eu prego uma coisa, pois convivo com ela, então falo da frustração, a de ser quem sou, não é que eu não goste de mim, mas acho que não sou quem deveria ser.

Nos grandes diálogos prego o amor e a igualdade, a prosa em vez da briga, pois se  algo está errado nós podemos concerta e assim fazer a festa. Tem hora que fico num eterno paradoxo da moralidade, aquele onde  devemos ser iguais, mas me engancho em galhos secos e entro em caminhos que me lavam ao nada, pois devemos ter direitos   iguais, mas por Deus um mundo igual, de pessoas que fazem as mesmas coisas e sempre falam  das mesmas coisas, não, ninguém merece  um mundo assim.  Temos de ser Iguais-diferentes.

Todavia não consigo viver dessa forma, sendo bom, como quero que os outros sejam, acho que o erro esta aqui: as idéias não correspondem aos fatos, não da pra levar a utopia ao pé da letra, temos que ver a realidade, os dilemas particulares modificam o patamar geral da nação, os homens são falhos, os deuses impotentes. 
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