Em certo
momento você solta o que no teu mais intimo pensamento é desejado, no meio de vários
amigos teu olhar está direcionado para uma única pessoa, aquela do teu sonho de
ontem e de hoje. Então num verso sem nexo tua voz intua um certo apelo descabido.
Em seguida vários
gritos silenciosos, entre olhares frios e cigarros quentes, você levanta e o chama
para dançar, mas ele não tem nada a tratar contigo, não expressa nenhum desejo
no teu corpo vadio de mulher de muitos homens.
Com toda cautela
ele levanta e vai até a janela, desdobra uma trouxinha, põem no cachimbo uma erva
de cheiro forte, sente a brisa por alguns segundos, olha nos teus olhos e diz: não sou como os outros, teu SEXO pra mim não era o alvo, queria teu amor...
Põe o cachimbo na boca, traga com prazer, levanta e abre a porta, vai caminhando
lentamente rumo ao Fusca azul.
No momento
que a porta bate, o motor ronca, um filme começou a passar na tua cabeça; a
reunião dos amigos da escola era a ultima chance de você reconquistá-lo, ele
agora era um importante jornalista que lecionava filosofia em uma grande
universidade paulista, seus livros falavam de solidão e do cotidiano das
grandes cidades.
Você não
tinha mudado muito nesses dez anos, sua pele ainda estava firme, seus olhos de
ressaca imitavam a velha Capitu, teu coração tinha a mesma função das traves no
futebol, apanhar e apanhar. A cidade pequena era teu lugar, de queridinha do
colegial passaste a ser prostituta, de meiga não sobrou nada, num desespero temporal
começaste a resmungar que o tempo foi o culpado, o grande vilão, porem esquecesse-se
de dizer que o erro maior foi não ter escutado teu pobre coração.

Muito bom o texto... Realmente tem várias caracteristicas do Naturalismo, dava pra sentir bem as sensações!!
ResponderExcluirRafael Bento
ola seu blog muito legal coisas muito interessantes xau abraços!
ResponderExcluirhttp://dgosaude10.blogspot.com.br/
Muito bom mesmo. :)
ResponderExcluirBrigando gente, são dos comentários que sobrevive este blogueiro.
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