Mateus é um jovem sonhador que tem de
pegar três ônibus por dia para chegar à escola onde cursa o ultimo ano do
ensino médio, durante suas viagens diárias, entre idas e vindas, ele passa por
cidades pequenas e metrópoles caóticas, muitas vezes da janela do sistema de transporte
falido, o nosso jovem observa o fluxo de pessoas e como isso tende a variar de
um local para outro.
Quieto em uma esquina, na frente de um ponto
de ônibus verde, que fica anverso a um muro repleto de palavras de ordem, escrita
em vermelho, com sigla de um partido de esquerda, nosso jovem escritor acende
um cigarro, olha para os lados como quem não tem muita pressa, pega o jornal
que está embaixo do braço e vai ler o caderno de economia, lá é onde estão os
artigos pessoas.
Ao abrir ele espera encontra uma de
suas cartas editorias, dessa vez ele escreveu sobre como a educação está tratando
os jovens, em sua opinião, os governos preparam uma grande massa mecanizada “engenheiros,
técnicos e etc.” nada de filósofos e sonhadores, pois pensar pode afetar a
ordem - desordenada - de uma “democracia”.
Mas, nosso moço de casaco velho, com
forte cheiro de cigarro de menta, óculos fundo de garrafa e dentes amarelados não encontrou nada a respeito de seu texto, naquele jornal que o
próprio considerava o mais sensato. Ele logo imaginou que teria sido censurado
pelo governo. Sem poder fazer nada, ele olhou para a jovem que estava ao lado,
uma linda garota com seus 16 anos, Mateus apenas focou nos seus olhos e disse: nunca
desista dos seus sonhos. O ônibus chegou e não sobrou ninguém.

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