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Andei mexendo em papéis
antigos e encontrei uma folha onde estavam escritas, entre aspas, algumas
linhas em inglês. O que significa que eu copiei as linhas de tão belas que as
achei. No entanto não estava anotado o nome do escritor, o que é imperdoável.
Vou tentar traduzir e não sei se a tradução conservará esse algo que me tocou
tanto:
“Então por um momento
os dois se apagaram na doce escuridão tão profunda que eles eram mais escuros
que a escuridão, por uns instantes ambos eram mais escuros que as negras
árvores, e depois tão escuro que, quando ela tentou erguer os olhos até ele, só
pôde ver as ondas selvagens do universo acima dos ombros dele, e então ela
disse: ‘sim, acho que eu te amo.’”
LISPECTOR, Clarice,
Crônicas para jovens: de amor e amizade. Rocco, 2010, p. 35.

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